Ironicamente este foi um dos jogos que me levou a adquirir a Gamecube. Vi ali uma oportunidade de experimentar um título da série Final Fantasy...fugindo a tradição do que é costume na série Final Fantasy o sistema de combates é em tempo real. Pessoalmente não vejo problema nisso. Até as franquias, de quando em vez precisam de alguma forma de inovar e de mudar qualquer coisa. Terá sido esta a intenção da Square Enix. Criar uma linha de jogos da série Final Fantasy cujo sistema de combate seja em tempo real.
A história é simples. A ameaça de uma substância tóxica chamada de Miasma paira no mundo. Todas as povoações possuem um cristal mágico que as protege do Miasma. Contudo a magia desse cristal vai com o tempo perdendo a sua força. Para renovar a força do cristal é preciso purifica-los com uma substância chamada Myrrh. Mas a Myrrh não está assim há mão de semear...ela encontra-se nas árvores de Myrrh espalhadas pelos 4 cantos do planeta. Assim todos os anos jovens das mais diversas povoações viajam pelos 4 cantos do mundo enfrentando diversos perigos, em busca do precioso líquido.
Falando dos aspectos positivos do jogo, destaca-se a estética quer dos cenários, quer das personagens. A introdução inerente a cada masmorra que vamos visitar está fabulosa, pois parece que estamos dentro de um conto infantil. A voz da narradora agradável, musicas sublimes...uma atmosfera diria poética!
Mas nem tudo nos videojogos se resumem a estética. È por isso que azedei com o Final Fantasy Cristal Chronicles. E porquê?! Bem comecemos pelo rato voador de nome Mog, que supostamente devia ser o nosso braço direito e ajudar-nos...mas que na verdade é um empecilho! A missão dele será transportar o cálice que tem o cristal que protege a caravana e nós do Miasma, e onde a Myrrh recolhida é guardada. Bem tudo não seria assim tão mau se o raio do bicho, não estivesse minuto a minuto a queixar-se que está cansado e então lá temos nós que carregar um bocado o cálice...e seria EXCELENTE se ele não se lembrasse de estar cansado exactamente no meio de uma batalha com o BOSS!!!! Foi o Mog feito para ajudar? Só se fosse para me favorecer com a sua ausência!...mas os problemas com o jogo não ficam por aqui. A longevidade mastigada do jogo, que nos obriga de tempos a tempos, a ir as mesmíssimas masmorras, enfrentar as mesmíssimas criaturas, o mesmíssimo Boss, para obter Myrrh da mesmíssima árvore que tínhamos visitado a tempos atrás. Isto se quisermos estar minimamente prontos, para o Boss final do jogo (consta-se que não é fácil de enfrentar!) Outro problema é que a Square Enix resolveu seguir o mau exemplo da Nintendo, e recorrer ao casamento consola doméstica com consola portátil. Moral da história...fico sem saber se o Final Fantasy Cristal Chronicles se trata de um Jogo da Gamecube para se jogar no GBA ou se é um jogo do GBA para se jogar na Gamecube. Só sei que mais uma vez o jogo não ganhou nada com este casamento. Se queremos um mapa da masmorra basta não pintar o MOG(sim! Podemos pintar o Mog na casa dos Mogs espalhados pelo mundo! O modo como ele é ou não pintado vai determinar o tipo de radar!) e...adivinhem?!...sim ter uma GBA!!! Quem não tiver, que compre um cão guia!...
Bem tudo isto afecta e de que maneira o modo single player( a propósito, se não tiverem pelo menos duas GBA, esqueçam o modo multiplayer!)
Bem graças a tudo isto passei uma tarde inteira na masmorra do Pântano (que mais parece o labirinto do Minotauro!) sem qualquer mapa, em que cada caganita que me aparecia á frente demorava uma eternidade a matar, e quando finalmente encarei o Boss. O cansaço do poço de utilidade que é o Mog, associado a qualquer falha mínima que fosse (até podia ser um espirro!) morria...uma vez...outra...e mais outra...até que me cansei do raio do jogo e desisti!!!...
Todos estes pormenores fazem-me pensar que este será provavelmente o pior Final Fantasy da série...até parece que foi criado só para dizer que a Lancheira também tinha um Final Fantasy! Acho que a Gamecube merecia mais...