Este jogo pode ser descrito em duas palavras...”Obra Arte”...o jogo simplesmente é lindo, e épico.
Adquiri este jogo na versão coleccionador na Rádio Popular. A capa é de cartão, e traz 4 postais referentes ao jogo. O preço foi de por 12,49 ¤, uma bagatela. Desde ai não mais o voltei a ver à vendas nas lojas. A verdade é que este género de jogos mais artísticos, acabam infelizmente por se traduzir em fracassos comerciais. Isso explica o preço baixo desse jogo. A verdade é que o pessoal vai mais atrás de PES e de FIFAS etc.
O jogo conta a jornada de um valoroso guerreiro de nome Wander rumo a uma região inóspita e amaldiçoada. A única companhia que vai ter nesta jornada será o seu fiel cavalo Agro. Wander leva consigo o corpo sem vida de uma jovem rapariga de nome Mono. Será a sua amada? Provavelmente, embora isso não seja bem esclarecido no jogo. Mas o que é verdade é que Wander está a arriscar a sua própria vida, para tentar devolver a vida a Mono. Para isso ele vai ao encontro de uma divindade espiritual de nome Dormin que habita no Templo da Adoração (Shrine of Worship ) no coração dessa região. Quando Wander entra nesse templo é atacado por espíritos sombrios...talvez espíritos ancestrais de habitantes que um dia viveram na região?! De qualquer forma, usando uma espada ancestral, Wander consegue não só deter os ataques desses espíritos, como atrai a atenção de Dormin...ele ficas surpreendido por Wander possuir aquela espada. Wander pede a Dormin que devolva a alma a Mono. Dormin diz que isso só é possível se as 16 estátuas alinhadas, no templo forem destruídas. Mas se pensam que basta a lei do martelo para fazer isso...estão bem enganados! Cada uma das 16 estátuas que estão no templo simboliza cada um dos 16 Colossi, criaturas que aparentam ser estátuas de pedra com vida, e que habitam essa região, e que devem ser mortos por Wander. Dormin avisa Wander que o preço a pagar para trazer Mono de volta a vida é muito alto. Mas Wander está disposto a paga-lo.
A região em si seria digna de um RPG, embora o jogo não seja do género RPG. Mas não faltarão zonas para explorar. Floresta, deserto, prados, e ruínas que são o testemunho de uma civilização que outrora prosperou naquela região.
Se neste jogo estão a espera de hordas intermináveis de inimigos...esqueçam. Apenas vão ter que enfrentar 16 inimigos. O jogo vai colocar-vos dois tipos de problemas:
1º problema ) O primeiro problema é encontrar os Colossi. Acreditem que essa tarefa vai ser tudo menos fácil, podendo tornar-se num grande quebra cabeças. Para irmos ao encontro dos Colossi, temos que usar a espada ancestral de Wander. Quando a empunhamos para cima ela emite um raio na direcção onde se encontra o Colossi. Depois ...depois temos que usar as habilidades de Wander para andar a cavalo, trepar, nadar etc...e claro que temos que puxar pela nossa massa cinzenta!
2º problema ) O segundo problema é enfrentar os Colossi. Para isso temos que ter em conta alguns pormenores:
- Nem todos os Colossi têm o mesmo temperamento. Uns atacam mal nos metem os olhos em cima, enquanto outros só atacam quando provocados.
-Os Colossi não tem todos a mesma dimensão. Alguns (diria a maior parte!) tem dimensões assustadoras, do tamanho de um edifício de 4 andares, e tanto quanto me recordo, pelo menos um tem a dimensão de um touro adulto(o que não é assim muito...)
- Os Colossi possuem modos de vida e habilidades diferentes. Há os que vivem em terra firme, na água e os que sabem voar...
- Wander não é propriamente uma personagem com super poderes...tudo o que ele vai ter para enfrentar cada um dos Colossi é a espada, e o arco e flecha!
-Isto de abater um Colossi tem bastante que se lhe diga...não basta pegar na espada e gritar “ao ataqueeeeeeee!!!!” e irmos feitos parvos em direcção a algum deles...o mais certo é acabarem espalmados. Cada Colossi tem os seus pontos fracos, que cabe a nós descobrir. Quando enfrentamos um Colossi temos que ter em conta não só os pontos fracos deste, os movimentos que ele faz, mas também a geografia do local onde o combate se vai desenrolar pode ser determinante. Dependendo do Colossi, Agro pode ou não participar no combate.(Por exemplo um Colossi que vive na água, não estão a espera que agro vá a nado participar na batalha...)
-Quando combatemos contra um Colossi podemos ter alguns problemas com a câmera de jogo.
- No calor da batalha Dormin poderá dar algumas dicas.
-Pessoalmente lembro-me de uma batalha que durou cerca de uma hora. Por ai podem ver que derrubar um Colossi poder ser mesmo trabalhoso.
Após vencerem cada batalha estarão de volta ao ponto de partida, ou seja o templo da adoração. A partir dai partem em busca de um novo Colossi...mas se algum dos Colossi já enfrentados, vos deixou tantas saudades ao ponto de terem vontade de o enfrentarem outra vez, basta irem outra vez ao local onde combateram com esse colossi, e nesse local a sempre um sítio em que se pode entrar no “Modo Recuerdo”. Vão enfrentar outra vez esse Colossi, mas esse combate não conta para a lotaria...os cenários no combate adquirem uma tonalidade algo acastanhada...simplesmente Wander para todos os efeitos está a recordar-se da batalha que teve com o Colossi num tempo muito distante.
Para além de combaterem, ao longo do jogo podem explorar o vasto mundo, caçarem lagartos ou aves (eu pelo menos nas aves nunca consegui acertar! A minha pontaria não deve ser lá grande coisa...) ou apanhar fruta das árvores usando arco e flecha. O consumo da fruta permite aumentar um bocado a estamina ( chamemos assim!...) de Wander. E procurar o Jardim proibido...foi um sitio que não consegui encontrar.
No que toca aos saves do jogo, existe espalhados pela região altares onde Wander se ajoelha, reza e é nesse momento que se faz o save do jogo. O jogo é retomado nesse ponto e começa com Wander a acordar.
Logo no início do jogo destaca-se o prólogo. Simplesmente lindo, a musica é melodia divinal, e que mostra o início do que será uma aventura épica.
Os gráficos são incrivelmente lindos, desde as paisagens, monumentos, água, o reflexo do sol nas plantas em combinação com as sombras, o agro que parece um cavalo a sério, os Colossi...essas estátuas de pedra com vida que parece que nos vão esmagar com uma só calcadela, e que a cada passo fazem estremecer o solo. Este jogo é do melhor que a Ps2 tem para oferecer no requisito de gráficos.
Outro pormenor que destaco no jogo é a ausência de música de fundo, os sons que nos vão acompanhando ao longo do jogo é o vento, e o sons dos animais. Isso dá-nos uma sensação de liberdade e sentimo-nos algo introspectivos...
Bem, eu falei de ausência de musica...pelo menos até avistar-mos um Colossi...ai é como se de repente ficássemos envolvidos no meio de uma orquestra. Para além de as musicas serem belas, enquadram-se muito bem na acção e até no tipo de colossi que enfrentamos.
Também não posso deixar de falar do cavalo de Wander, o Agro, mais do que um simples cavalo é o fiel amigo e companheiro de Wander. Agro está de tal forma tão realista que parece um cavalo a sério. Quer no seu aspecto, quer no seu comportamento. Podemos ver Agro a alimentar-se da vegetação, beber água num qualquer lago, ou, correr livremente. Agro é muito útil, na medida em que graças a ele as distâncias entre diferentes sítios de região tão grande e inóspita como é a deste jogo, podem ser percorridas de forma bem mais rápida, e para além disso ele é de grande importância nas batalhas contra a alguns Colossi. Uma vez que pode proporcionar investidas mais rápidas contra os colossi, ou fugas quando necessário. Se Wander precisar de Agro, quer seja para simplesmente deslocar-se, ou no meio de um combate contra um colossi onde a intervenção de Agro é possível e mesmo necessária, basta-lhe chamar pelo seu nome, ou então assobiar... agro é o único amigo com quem Wander pode contar.
Uma curiosidade em Dormin tem haver com a sua voz...Trata-se de uma voz algo difusa, cujo o som é uma mistura de tonalidades masculina e feminina.
No que toca aos Colossi, tudo o que tenho a dizer é que eles são discutivelmente os melhores bosses que alguma vez foram criados num videojogo.
Quando se acaba o jogo, como é boa tradição somos recompensados com alguns extras, como um modo de jogo com um grau de dificuldade acrescido, ou um modo de jogo com combates em contrarelógio, sempre que assim o desejarmos, etc.
Finalmente mesmo quando o jogo termina, há sempre perguntas que ficam por responder tais como, O que aconteceu á civilização que ali havia? Qual foi o papel de Dormin na desgraça que se abateu sobre essa civilização? Qual a relação entre Wander e Mono? Os acontecimentos de Shadow of Colossus são precedentes, que vão levar aos acontecimentos de ICO? (esta é uma pergunta cuja discussão envolveria inevitavelmente a referências a acontecimentos e pormenores de ambos os jogos, e portanto spoiler...)
Contudo é nessas perguntas que ficam por responder que está um dos alicerces da magia deste jogo. Pois quem não gosta de tentar decifrar um bom enigma?
